CAPOEIRA,
UM POUCO DE SUA HISTÓRIA
No
tempo da escravidão, quando davam pela falta de um negro foragido
diziam: “Foi para a capoeira!”
A palavra capoeira originou-se do tupi-guarani
caá-puera (mato ralo ou mato que foi cortado), e logo virou sinônimo
de luta-dança que os negros arredios usavam para se defender ou
atacar os cruéis feitores que os perseguiam mata adentro. Crônicas
antigas dizem que algo semelhante
à capoeira era praticado na África para comemorar uma caçada
bem-sucedida. Era a dança da zebra que consistia em cabeçadas,
esquivas e coices.
No século XVI essa tradição
chegou ao Brasil junto com os banto-congo-angoleses, e sua prática
foi mantida nas senzalas sem ter conotação de luta para
não sofrer repressão.
Na guerra do Paraguai, o governo da Bahia
recrutou os capoeiristas à força, integrando-os ao regimento
voluntários da pátria, onde mostraram bravura e competência.
Com a abolição da escravatura, a capoeira oscilou entre
o bom e o mau uso, coisa que também costuma ocorrer com outras
modalidades de artes marciais. No finalzinho do Império e nas primeiras
décadas da República, muitos capoeiristas oriundos dos bolsões
da pobreza aterrorizavam com assaltos as principais capitais, obrigando
a polícia a exercer violenta repressão; onde para poder
dominá-los de uma distância segura, usou-se até um
chicote. Em um corpo-a-corpo, pela manha e destreza física, os
lutadores eram imbatíveis. Habilidosos e temidos, vários
deles tiveram seus nomes gravados na história da capoeira, como
Zumbi, o rei dos Palmares, ficaram também famosos: Besouro “Mangangá”,
Bigode de Seda, Amorzinho (Guarda Civil), Bugalho, Maré, Chico
três Pedaços, Sete Coroas, etc. Havia também mulheres:
Maria Doze Homens (assim batizada por ter vencido 12 homens de uma só
vez), Julia Fogareira, Palmeirona, Maria Homem e Maria Cabaço (por
ser muito feia, nenhum homem ousava cortejá-la), etc.
Depois que o Presidente Getúlio Vargas
revogou o decreto do Marechal Deodoro que proibia a prática da
capoeira, dois grandes nomes se projetaram: Mestre Pastinha, conservador,
tradicional, reconhecido como o maior percussor do estilo Angola e Mestre
Bimba, que inovou a capoeira tradicional criando o estilo Regional, na
qual foram incorporados alguns golpes de outras artes marciais. Já
houve muita rivalidade entre os seguidores dos dois estilos, mas muitos
mestres esclarecidos e bem intencionados pregam a conciliação
e união, já que a diferença de estilo não
muda a essência da origem.
No estilo Angola a capoeira é muito
maliciosa, lenta, com acrobacias, os jogadores vadiam como se estivessem
brincando, muito próximos, exigindo muita flexibilidade.
No estilo Regional o jogo é mais
violento, duro, ligeiro, utilizam muitos golpes traumatizantes, exigindo
muita habilidade e agilidade dos jogadores.
Nas rodas de capoeira é obrigatório
a presença da orquestra, que ditará o ritmo a ser jogado,
quer seja rápido ou lento, embalado ao som do canto e dos instrumentos:
Na angola (03 Berimbaus – Gunga/Viola/Berra-boi, 01 atabaque, 01
ou 02 pandeiros, 01 reco-reco, 01 agogô e 03 caxixis). Na Regional
(01 Berimbau, 01 caxixi e 02 pandeiros).
Os golpes mais utilizados na capoeira são:
Rabo de Arraia, Benção, Ponteira, Meia-lua, Chapa, Queixada,
Armada, Martelo, Tesoura, Aú, Role, Rasteira, etc.
No Estado do Ceará, alguns mestres defendem a tese de que a capoeira
foi trazida pelo Mestre Zé Renato, quando no ano de 1974, fundou
o Grupo Xangô de Capoeira, tornando-se assim o primeiro grupo de
capoeira do estado; foram formados por Zé Renato quatro outros
mestres: Zé Ivan, fundador do Grupo Berimbau de Prata; Jorge Negrão,
fundador do Grupo Negro Livre; Everaldo (Ema), fundador do Grupo Zumbi;
e João Baiano, fundador do Grupo Palmares, sendo essa as raízes
da capoeira do Estado. Em 1979, chegou ao Ceará Mestre Squisito,
vindo de Brasília-DF, trazendo consigo as seqüências,
sistema de graduação e métodos de ensino da Capoeira
Regional Baiana de Mestre Bimba. Hoje, mestres, professores, bem como
um grande número de capoeiristas existentes em nosso Estado nasceram
dessas duas vertentes da Capoeira. A citar alguns nomes como: Mestre Assis,
Mestre Boi, Mestre Buldog, Mestre Carlão, Mestre César Simpatia,
Mestre Espirro Mirim, Mestre Ferreirinha, Mestre Geléia, Mestre
Grande, Mestre Haroldo, Mestre Índio, Mestre Jean, Mestre Junior
Moraes, Mestre Januário, Mestre Labareda, Mestre Lula, Mestre Moreno,
Mestre Pedro, Mestre Prainha, Mestre Rato, Mestre Samuray(in memorian),
Mestre Soldado, Mestre Zebrinha, e outros.
O Estado do Ceará conta atualmente com
uma Federação (Federação Cearense de Capoeira),
várias Associações e um grande número de Grupos,
distribuídos por todo seu território. Devido o grande nível
técnico de seus praticantes, atingiu rápido todas as classes
sociais, e hoje é reconhecida pelos grandes mestres de todo País.
Hoje a capoeira do Ceará também é praticada em outros
países e é através desses países que ela ganha
projeção mundial por ser uma arte em ritmos e movimentos
que exprimem toda a criatividade de um povo que foi oprimido. Mesmo com
todo esse desenvolvimento, a sociedade ainda desconhece os seus verdadeiros
valores, bem como os benefícios que podem advir com o seu conhecimento
e sua prática. |