MESTRE BIMBA

     Manoel dos Reis Machado, nasceu no dia 23 de Novembro de 1900 , era o caçula de 25 irmãos. O apelido de "BIMBA" ele ganhou depois que sua mãe, Maria Martinha do Bonfim, perdeu uma aposta para a parteira, ela afirmara que nasceria uma bela menina e a parteira que era amiga da família, dizia que seria menino. Quando Manoel nasceu, viu-se que a parteira tinha razão e então começaram a chamá-lo de Bimba, que na Bahia significa órgão genital masculino. Seu pai, Luiz Cândido Machado, era um grande batuqueiro (batuque - luta africana muito antiga). Mestre Bimba começou a aprender a capoeira com o Capitão da Companhia de Navegação Baiana que era conhecido como Bentinho.
     Mestre Bimba tinha uma personalidade forte, era uma pessoa equilibrada, carinhoso e severo quando se era necessário. Sua grande virtude era tratar seus alunos como se fossem seus filhos.
     Na vida de Bimba, o que se tem mais curiosidade é em relação a seus amores, o que ele sempre dizia é que tinha amado muito, mas que o amor se desfez e só a capoeira tinha vez.
     A última formatura de Bimba ficou e é conhecida como a formatura do adeus, pois nesse dia ele se despedia de Salvador e ia morar em Goiânia. Isso ocorreu em 1973. Sua mudança não teve muito sucesso, morreu aos 74 anos no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiânia. Seu enterro foi com todas as honras que ele mereceu. Seu luto durou 7 dias nas academias da Bahia.
     Bimba foi o criador da Capoeira Regional, em 1928, e ela que tornou-se uma manifestação da cultura. Ele utilizou os seus conhecimentos da Capoeira Angola e do Batuque, e acrescentou movimentos de sua própria criatividade que julgava ser necessário para que a capoeira fosse mais eficaz.
     Mestre Bimba disse "em 1928, eu a criei completa, a regional, que é o batuque misturado com a angola, com mais golpes, uma verdadeira luta, boa para o físico e para a mente".
     A partir da década de 30, com a implantação do Estado Novo, o Brasil atravessou uma fase de grandes transformações políticas e culturais, onde as idéias nacionalistas e de modernização ficaram em evidência, nesse contexto, surge a oportunidade de Mestre Bimba fazer com que seu novo estilo de capoeira alcançasse as classes sociais mais privilegiadas.
     Em 1936 fez a primeira apresentação do seu trabalho e no ano seguinte foi convidado pelo Governador da Bahia, o General Juracy Magalhães, para fazer uma apresentação no Palácio do Governador onde estavam presentes autoridades e convidados.
     Dessa forma a capoeira foi reconhecida como "Esporte Nacional"e mestre Bimba foi reconhecido pela Secretaria de Educação Associação Pública ao Estado da Bahia como professor de educação física e sua academia foi a primeira no Brasil reconhecida por lei. O nome da Capoeira Regional originou-se da academia que fundou em 1932 em Salvador, o Centro de Cultura Física e Luta Regional.
     Mestre Bimba chegou a ultrapassar fronteiras e ser conhecido mundialmente. Rompendo com os preceitos puristas da velha Capoeira Angola, mais ligada as tradições africanas.

MESTRE PASTINHA

     Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador a 5 de abril de 1889, filho do espanhol José Señor Pastinha e de Dona Maria Eugênia Ferreira. Seu pai era um comerciante, dono de um pequeno armazém no centro histórico de Salvador e sua mãe, uma negra natural de Santo Amaro da Purificação, que vivia de vender acarajé e de lavar roupa para famílias mais abastadas da capital baiana.
     No prefácio do livro publicado em 1964, intitulado “Capoeira Angola”, de autoria de Pastinha, José Benito Colmenero afirma que Pastinha teve como mestre de capoeira um negro angolano chamado Benedito, que, ao ver o menino pequeno e magrelo apanhar de um garoto mais velho, teria resolvido ensinar-lhe a Capoeira.
     Durante três anos, Pastinha teria passado tardes inteiras num velho sobrado da rua do Tijolo, em Salvador, treinando a movimentação da arte: meia-lua, rasteira, rabo-de-arraia, etc. Ali teria aprendido a jogar com a vida e a ser um vencedor. Mas a alguns dos capoeiristas que o conheceram afirmam que seu mestre foi Aberrê.
     Viveu uma infância feliz, porém modesta. Durante as manhãs freqüentava aulas no Liceu de Artes e Ofício, onde também aprendeu pintura. À tarde, empinava pipa e jogava Capoeira. Aos treze anos era o moleque mais respeitado e temido do bairro. Mais tarde, seu pai, que não gostava da vadiagem do moleque, matriculou-o na Escola de Aprendizes Marinheiros, onde conheceu os segredos do mar e ensinou aos colegas as manhas da Capoeira.
     Aos 21 anos, voltou para o centro histórico, deixando a Marinha para se dedicar à pintura e exercer o ofício de pintor profissional. Suas horas de folga eram dedicadas à prática da Capoeira, cujos treinos eram feitos às escondidas, pois no início do século esta luta era crime previsto no Código Penal da República.
     Em fevereiro de 1941, fundou o Centro Esportivo de Capoeira Angola, no casarão n.º 19 no Largo do Pelourinho. Esta foi sua primeira academia-escola de Capoeira. Disciplina e organização eram regras básicas na escola de Mestre Pastinha, e seus alunos sempre usavam calças pretas e camisas amarelas, cores do Ypiranga Futebol Clube, time do coração de Mestre Pastinha.
     Aos 84 anos, muito debilitado fisicamente e quase cego, deixou a antiga sede da Academia para morar num quartinho velho do Pelourinho, com sua segunda esposa, Dona Maria Romélia; a única renda financeira que tinha era a dos acarajés que sua esposa vendia. Morreu aos 92 anos, cego e paralítico, no abrigo D. Pedro II, em Salvador, numa sexta-feira, 13 de Novembro de 1981, vítima de uma parada cardíaca.
     Pequeno e notável em sua arte, Mestre Pastinha foi “o primeiro capoeirista popular a analisar a capoeira como filosofia e a se preocupar com os aspectos éticos e educacionais de sua prática”.